Por ser uma ciência relativamente nova, muito se fala em relação aos objetivos da neuropsicologia e o que se pode esperar de uma avaliação neuropsicologia. O objetivo deste material é justamente esclarecer algumas dessas dúvidas, tais como: o que é a neuropsicologia? Como pode ser útil uma avaliação neuropsicológica? Quem pode realizá-la? O que avalia? E afinal, como são as sessões de avaliação?

 

Respondendo ao primeiro questionamento, a neuropsicologia é a ciência que se debruça sobre o estudo das manifestações comportamentais das disfunções cerebrais, segundo Lezak et al. (1995). Portanto, é uma ciência que busca investigar como a organização cerebral e as habilidades cognitivas estão relacionadas ao modo como o sujeito pensa, sente e se comporta no ambiente a sua volta, seja ele no nível das atividades mais práticas do dia como preparar uma refeição até as habilidades como recordar-se de um evento agendado, aprender novos conteúdos ou interagir socialmente. Embora a neuropsicologia seja uma campo interdisciplinar, no qual cada área de conhecimento contribui significativamente para a compreensão do sujeito como um todo, alguns testes neuropsicológicos são de uso exclusivo dos profissionais da psicologia, portanto a avaliação deve ser realizada por psicólogos.

 

Durante as sessões de avaliação vários instrumentos padronizados pelo Conselho Federal de Psicologia podem ser utilizados, assim como tarefas clínicas e ecológicas que tem por objetivo visualizar como o sujeito reage e busca resolver os problemas propostos mediante o uso das suas habilidades cognitivas. Por intermédio dessas atividades é possível compreender a extensão do dano, se caso o paciente tenha passado por um insulto neurológico, Acidente Vascular Cerebral ou Traumatismo Cranioencefálico, por exemplo; comparar quais funções cognitivas se encontram mais desenvolvidas e quais requerem maior estimulação; Hipotetizar regiões comprometidas e auxiliar no diagnóstico e prognóstico clínico; Apontar questões primárias e secundárias as queixas trazidas pelo paciente e familiares; Além de montar um plano de habilitação ou reabilitação neuropsicológica, exclusivo para a demanda do paciente, ou apontar demandas psicológicas que podem estar interferindo no desempenho do indivíduo e que podem ser alvo na Terapia Cognitivo-Comportamental.

 

Como a avaliação neuropsicológica não é psicoterapia, existe um número fixo de sessões que giram em torno de 5 a 8 encontros com a duração de 50 minutos cada. O número de sessões será relativo ao motivo do encaminhamento e das queixas trazidas pelo paciente, bem como do seu ritmo de trabalho dentro das tarefas propostas. Na primeira sessão o psicólogo buscará compreender a demanda que se apresenta bem como quais fatores ambientais podem estar interferindo na queixa. Através da anamnese, além de compreender os fatores temporais, biológicos e ambientais que permeiam a vinda do paciente para avaliação, também será esmiuçado o modo e o grau de como os sintomas afetam o cotidiano. Após o contato inicial serão criadas hipóteses clínicas que passarão a ser testadas mediante o uso dos testes e atividades mencionadas anteriormente, de acordo com o contexto pode ser necessário que o profissional busque entrevistar membros da família, da escola ou do trabalho, objetivando entender de modo mais amplo a queixa que se apresenta. Também pode ser pertinente observar o paciente em outros ambientes, além do controlado, de consultório. Tais observações podem ser em sala de aula nas queixas relacionadas à aprendizagem em crianças, por exemplo. Após o período de avaliação será elaborado um laudo que segue as normativas do Conselho de Federação de Psicologia através da Resolução nº 007/2003 (CFP, 2018, web), desenhando o perfil cognitivo do sujeito, fatores externos e internos que podem interferir e estratégias que podem ser usadas para lidar com as dificuldades (FUERTES  et al. 2014).

 

 

Referências:

 

CFP. Resolução nº 007/2003: Instituiu o manual de elaboração de documentos escritos produzidos por psicólogos, decorrentes de avaliação psicológica. Disponível em: < https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2003/06/resolucao2003_7.pdf>. Acesso em: 16 abr. 2018.

 

FUENTES, D., DINIZ-MALLOY, L. F., CAMARGO, C. H. P., & CONSENZA, R. M. (Orgs.), Neuropsicologia: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed, 2014.

 

LEZAK, M. D., HOWIESON, D. B., BIGLER, E. D., TRANEL, D. Neuropsychological Assessment. EUA: OXFORD, 1995.